Este é um livro-regresso, um rasto íntimo, por vezes contraditório, onde cabem a euforia e o desencanto, a descoberta e a perda, o riso súbito e a melancolia sem nome. Sem nostalgia fácil, só com memória inteira. Um regresso feito de fragmentos, de vozes diferentes, de olhares que se cruzam e às vezes se contradizem como quem tenta fixar o que, por natureza, é fugaz. Talvez seja isso Coimbra: mais do que uma cidade, uma insistência, uma forma de ficar. Coimbra resiste, não se recorda, reincide. Coimbra, percebe-se nestas páginas, era menos um espaço do que um estado. Um estado de disponibilidade absoluta para o mundo e para os outros. Vivia-se com uma voracidade quase ingénua, como se cada noite tivesse de conter todas as noites, como se cada encontro pudesse ser definitivo e mentisse. Dias que começavam sem plano e terminavam sem conclusão, apenas fragmentos, imagens soltas, frases que regressam anos depois com uma nitidez inexplicável. Coimbra como uma pedagogia do fragmento.